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Wilco em Berlim (e as novidades de novembro)

Que semana, senhores.

Teve show do Wilco, uma triste surpresa nos Estados Unidos, uma despedida e um reencontro feliz com uma amiga da vida.

Na segunda-feira dia 7, depois de um ano com o ingresso na mão e sete anos de espera, fui prestigiar uma das bandas que eu mais amo. Wilco finalmente voltou a Berlim depois de sua apresentação em 2009. Assim que eu fiquei sabendo do show, em novembro de 2015, comprei nossos ingressos e esperei pacientemente por esse dia.

O show foi no Tempodrom e os lugares eram marcados. A casa estava cheia. Confesso que esse foi o primeiro show “adulto” que eu fui, em que a faixa etária variava entre late 30’s – middle 50’s. Fiquei feliz por ter garantido minha camisetinha e sair orgulhosa por ai exibindo minha admiração pela banda.

Camisetinha do Wilco. Iuhuuu!
Camisetinha adquirida no show do Wilco em Berlim. Iuhuuu!

Ir em shows na Alemanha pode ser uma experiência opressiva pois – geralmente – os alemães vão aos eventos para ver e ouvir as bandas, não para cantar junto. Eu, com meu sangue latino misturado ao meu amor pela banda, tive que bravamente me conter pra não sair berrando e me retorcendo naquela misera cadeirinha. Mas, quando Jeff Tweedy começou a cantar “I am trying to break your heart”, alguns poucos gatos pingados se levantaram e ficaram no meio do corredor entre os blocos de cadeiras. Senti aquele raio de esperança e saí atropelando as cadeiras da minha frente (enloquecendo meus vizinhos) e fui. Fiquei a uma cabeça da banda.

Jeff Tweedy e seus colegas não conseguiram esconder nem a surpresa, nem a alegria em ver aqueles (muitos) gatos pingados curtindo o show em pé. “Fico feliz em ver vocês aqui, mas acho que vocês têm de sentar”, disse. Mas não adiantou. Ficamos o show inteiro ali. E mesmo estando ao lado dos fãs provavelmente mais caloroso do evento, eu ainda era uma das mais eufóricas. Sorte que havia dois caras espanhóis ao meu lado tão empolgados como eu. Ai meus surtos de alegria não se dispersaram sozinhos no ar. Nem na hora dos solos, como em “Impossible Germany”, uma das músicas mais importantes da trilha sonora da minha vida.

Jeff Tweedy é um querido e fez um super show com seus colegas do Wilco
Jeff Tweedy é um querido e fez um super show com seus colegas do Wilco

Apesar da alegria e disposição da banda, Jeff estava nervoso. Não em função do público berlinense, mas pelo que estava por vir em terras americanas no dia seguinte. Mas não teve jeito e Trump venceu. Eu sinto muito por eles e por todos que não acreditam que uma bizarrice dessas seria capaz de acontecer. No sábado, várias pessoas se reuniram no portão de Brandemburgo para protestar contra a eleição desse “gestor” que nada entende de gente, de meio ambiente, de mulher, de futuro, etc.

Mas a vida tem que continuar. No dia seguinte, vi que um dos perfis do Instagram mais populares de Berlim, o Notes of Berlin, publicou uma foto que eu mandei pra eles há cerca de um ano. Fique surpresa e feliz ao ver que mais de duas mil pessoas curtiram a nota escrita na frente de um bar aqui do lado da minha casa: “Aqui poderia estar escrita uma citação de um famoso pensador ou filósofo, que poderia te iluminar, mas não mudar nada no momento. Por isso, entre e tome alguma coisa.” Foi um prazer :)

Notes of Berlin e deBerlim :)
Notes of Berlin e deBerlim :)

A semana ainda foi de despedidas, pois estou mudando de empresa. Foi um tempo de muito aprendizado, mas agora é hora de fazer algo mais feliz. Mais novidades em breve.

Aí para fechar a semana, recebi minha grande amiga e cidadã honorária da Alemanha Marina Smith. Como sempre,  o final de semana foi repleto de boa gastronomia e muito vinho branco:

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Late lunch no Hard Rock Café, em Kudamm
Schokoloco da Princess Cheesecake, em Mitte
Schokoloco da Princess Cheesecake, em Mitte
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Quartel general da Deutsche Bahn, no Sony Center no sábado de noite
Primeiro Glühwein da temporada de inverno 2016/2017 em Potsdamer Platz
Primeiro Glühwein da temporada de inverno 2016/2017 em Potsdamer Platz

Boa semana pra vocês.

 

Um país sem imigrantes?

A Alemanha tornou-se o segundo destino mais popular para imigrar, de acordo com uma pesquisa publicada pela OEDC em maio desse ano, ficando a frente do Canadá e Austrália.

Além da permissão do livre trânsito de países em condições econômicas menos favoráveis, como Romênia e Bulgária, na União Européia, são cidadãos do sul do continente (Itália, Espanha, Grécia e Portugal) que optam começar uma vida nova na Alemanha atrás de melhores oportunidades profissionais.

Enquanto isso, a Alemanha recebe centenas de refugiados das zonas de conflito da África e do Oriente Médio. De acordo com artigo da Deutsche Welle, só em 2014 o país deve receber mais 300 mil pessoas.

A discussão sobre a presença e a aceitação de estrangeiros ferve na Alemanha. Partidos de extrema direita como o recém-formado Alternative für Deutschland começam a ganhar um leve destaque na cena política (como nas eleições do parlamento europeu e em estados do Leste), baseados no pressuposto que a imigração vai prejudicar a economia alemã, aumentar as taxas de desemprego e estourar o sistema social do país. O jornal Huffington Post discorda dessas previsões e listou 10 motivos que desolariam a Alemanha caso os estrangeiros resolvessem deixar o país. Entre eles, justamente o que os conservadores mais temem: problemas no mercado de trabalho. Sem a mão de obra estrangeira, o “motor da economia alemã” iria parar de funcionar.

O sistema social iria ruir sim, porque apesar de um terço dos desempregados terem raízes estrangeiras, os estrangeiros empregados representam um número indispensável das contribuições para a previdência social.  Sem estrangeiros, os alemães também perderiam uma das suas grandes paixões, o futebol, pois 50% da Bundesliga é formada pro jogadores de fora. Aí tenho certeza se pensaria duas vezes.

Dentro desse contexto, um canal suíço elaborou um documentário fictício sobre como o país seria sem estrangeiros. As universidades e hospitais se esvaziariam de profissionais. O que restaria seria um país fantasma. Em fevereiro desse ano o país aprovou um referendo que limita a movimentação de imigrantes. Bom para refletir.