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Maternidade na Alemanha

Estou devendo esse post há mais de um ano. Mas antes tarde do que nunca, é hora de falar de um tema importante pra quem escolhe a Alemanha pra ter e criar filhos.

Logo que descobri que estava grávida, tive a sorte de conhecer uma outra mãe brazuca (obrigada, Carol!) que me indicou uma boa médica. Médicos realmente bons em Berlim são raridade. E quando eles existem, muitos não aceitam pacientes novos. No caso dessa médica, a clínica só aceitava pacientes grávidas, então dei muita sorte.

A escolha é da mulher

Até os três primeiros meses da gravidez, as mulheres têm direito à escolha de continuar ou não com a gestação. Caso haja dúvidas, é oferecido um atendimento psicológico e eu tenho quase certeza que todos os procedimentos são cobertos pelo seguro de saúde público.

Começando a aventura

A gravidez é calculada por semanas. O parto normal ocorre entre a 40a – 42a semana. Alguns médicos possuem um aparelho de ultrassom no próprio consultório, por isso é possível acompanhar o desenvolvimento do feto desde o comecinho. Nessa fase inicial é tempo de procurar uma Hebamme (parteira) que irá acompanhar a gestante em paralelo com a médica. Geralmente escolhe-se uma parteira com base no endereço para que ela esteja perto depois que o nenê nascer.

Parteira

Tive (de novo) sorte de conhecer uma parteira excelente, indicada pela minha médica. Ela era muito tranquila, desmistificou todas essas baboseiras que inventam para dificultar ainda mais a vida da gestante e serviu de conselheira e ouvinte nos momentos de dúvida. “O que faz bem pra mãe, faz bem pro nenê”, ela me dizia. O seguro saúde também cobre a assistência da parteira. Em alguns raros casos, ela pode te acompanhar no parto (Beleghebamme), mas ela precisa estar afiliada a um hospital e é preciso pagar uma quantia extra.

Mutterpass

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Ainda na fase inicial, a gestante ganha um passaporte de mãe (Mutterpass) onde registram-se todos os exames médicos, consultas e encontros com a parteira. Recomenda-se andar sempre com ele para que, em caso de uma emergência, qualquer médico pode se atualizar com rapidez sobre o desenvolvimento da gestação.

Mova-se com o barrigão

Quem tem tempo, pode fazer todo tipo de atividade física especial para a gravidez, como yoga e hidroginástica. Como eu estava trabalhando full-time, infelizmente não fiz nada disso.

Moda gestante
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Arrasando com o barrigão <3

Lojas como C&A e H&M possuem seção para gestantes. A minha maior aliada era a legging. Ainda há muita oferta online.  Uma loja que eu gostei muito ficava em Prenzlauer Berg, a 9MonateBerlin. Essa foi a única época da minha vida que eu usei roupas justas para exibir minha pança :)

Verão / Inverno

A data de nascimento do meu filho era metade de setembro, ou seja, passei os meses finais da gravidez no alto verão – e aquele verão foi o mais quente que eu já vivi aqui (meia-noite, 28oC). A temperatura no verão alemão geralmente é mais amena que no Brasil, mas quando resolve ser quente, não há alternativas como ar-condicionado, seja no transporte público, no trabalho ou no comércio. Por isso que eu trouxe um ar condicionado do Brasil – mas isso é história para outro post.

O que vem por aí…

As parteiras recomendam fazer o curso de preparação para o parto (Geburtsvorbereitungskurs), que geralmente ocorre num final de semana e é oferecido em casas de parto (Geburtshaus). Eu fiz, achei OK. Dá pra ir sozinha ou com o parceiro (é bom pra dar um refrescada na cabeça deles sobre a condição especial que estamos e que merecemos muito cuidado e carinho).

Onde e como?

Há várias maneiras e lugares para o parto. Para quem procura algo mais alternativo, as casas de parto são bem atraentes. Elas oferecem um ambiente mais aconchegante e menos frio que os hospitais. Há um equipe de parteiras (e enfermeiras, acredito – alguém por favor confirma essa informação?). E em caso de uma emergência, a gestante é levada imediatamente para um hospital.

Como alguns hospitais daqui são super equipados e também oferecem alternativas para a gestante, como parto na água, salas de parto humanizadas e quartos de família (em que o pai pode passar a noite com a mãe e o bebê), eu não hesitei em escolher o hospital. Os que têm maternidade geralmente oferecem uma tarde “das portas abertas” com uma palestra sobre os serviços oferecidos e uma pequena visita aos quartos. A partir da 33a semana, a gestante deve marcar um horário e se inscrever num hospital / casa de parto. Assim temas como anestesia, tipo de parto, preferência de quarto e até detalhes sobre o destino da placenta são definidos antecipadamente para evitar estresses desnecessários durante o trabalho de parto.

Eu escolhi o Helios Klinik em Buch e caso tenha mais um filho, é pra lá que eu vou.

É hoje

No tão esperado dia, quando comecei a sentir as contrações, ligamos para o serviço de transporte parceiro do hospital – gratuito. Fui de ambulância com meu marido para lá – um sábado de noite.  Cheguei lá às 23h e já fui direto para uma sala de parto linda, com iluminação especial (nada daquelas lampadas fluorescentes pálidas), com cores aconchegantes e um banheiro. Nem deu tempo de pedir banheira. Na sala e durante o parto é possível aproveitar a companhia de até dois acompanhantes, nesse caso, meu marido e minha mãe. Fui apresentada para a parteira e para a médica – que só ficou mesmo na hora que meu filho ia nascer. O parto foi feito só pelas duas. Nenê chegou às 3h da manhã. :)

Os primeiros dias como pais
Primeiro passeio agarradinho na mamae
Primeiro passeio agarradinho na mamãe

Depois de deixar o hospital (onde o bebê pode fazer os primeiros exames no segundo / terceiro dia após o nascimento, é a vez da parteira assumir o cuidado com o serzinho e os novos pais). Ela vem todos os dias durante duas semanas e, caso esteja tudo bem, as visitas começam a ficar mais espaçadas. Ela pesa e acompanha o desenvolvimento do nenê, assim como a recuperação da mãe.

Licença maternidade

Existem dois tópicos importantes para as mães (e pais) que trabalham. Primeiro é a Mutterschutz, que dura seis semanas antes até 12 semanas do nascimento. Essa licença é obrigatória. Depois que vem a licença maternidade (paternidade) mesmo, o Elternzeit, que pode durar até dois anos e ser dividido entre os pais.

Pediatra

Eu recomendo buscar um pediatra antes do nenê nascer. No começou do post falei que é difícil encontrar bons médicos disponíveis em Berlim e a regra se aplica para todas as especialidades. No caso do meu filho, fui atrás de um pediatra cerca de 7/10 dias após o nascimento. Tive que ouvir coisas absurdas como: “seu bebê já é muito velho, não podemos aceitá-lo como paciente”.

Kita

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Igualmente complicado é conseguir uma vaga numa creche (Kita). Tem gente que se inscreve logo que descobre a gravidez. Dependendo do Kita, bebês a partir de seis meses já são aceitos, mas a média é um ano, um ano e meio. E muitos Kitas fecham cedo, tipo 16h, 17h, o que dificulta a vida de quem tem que trabalhar full-time.

Mais tópicos para o futuro

Existem um milhão de temas que eu posso explorar aqui, incluindo os cursos pekip, Eltern-Kind-Café, atividades em português e a DM, que se torna o melhor passeio da nova mãe (heheeh). Mas o post vai ficar muito longo. Mas resumindo, gravidez na Alemanha (pelo menos em Berlim) é uma experiência muito agradável e tranquila. E mesmo para as grávidas mais céticas, como eu era, ter um filho é realmente a descoberta do amor maior.  <3