Sala lotada na press screening de Grand Budapest Hotel na Berlinale - Foto: Julia Docolas

Diário da Berlinale – Dia 1

Em boa companhia

A Berlinale começou bem. O júri deste ano, presidido pelo produtor e roteirista americano James Schamus, recebeu a imprensa antes da primeira press screening e falou sobre as expectativas para esta edição. Destaque para o ator austríaco Christoph Waltz que compôs ano passado o time do júri de Cannes. Perguntado sobre as principais diferenças entre os dois festivais, ele declarou que a maior delas é que Cannes possui uma praia… e que a comida de lá também é melhor. Nesse momento, ele conquistou os presentes.

Michel Gondry e Christoph Waltz
Michel Gondry e Christoph Waltz – júri em boas mãos.

O diretor francês Michel Gondry também compõe o júri e participa em paralelo da mostra Panorama com o documentário Is the man who is tall happy? Quem vos escreve perguntou como ele vai fazer para administrar o tempo em meio a tantos compromissos com a competição principal. O francês falou que sua obrigação como jurado é a prioridade.

O Grand Budapest Hotel e seu grande elenco

As duas salas de cinema reservadas para a press screening de Grand Budapest Hotel não foram suficientes para acomodar todos os jornalistas. Muito menos a sala para a entrevista coletiva logo após. Jornalistas se amontoaram no chão para ouvir as declarações do diretor Wes Anderson e do super, mega elenco que veio em peso para a prestigiar o lançamento do filme, que será exibido após a cerimônia de abertura agora à noite. Acho que nunca vi tantos atores de peso reunidos na mesma sala. Em ordem de fanatismo: Tilda Swinton, Edward Norton, um Ralph Fiennes barbudo (que me levou horas pra reconhecer) Willem Dafoe, Bill Murray, Jeff Goldblum e o jovem casal protagonista Tony Revolori e a bela Saoirse Ronan.

Da esquerda para a direita: produtor Jeremy Dawson, Bill Murray, Edward Norton, Saoirse Ronan, Ralph Fiennes, Wes Anderson, Tony Revolory, Tilda Swinton, Jeff Goldblum, Willem Dafoe e o moderador.
Da esquerda para a direita: produtor Jeremy Dawson, Bill Murray, Edward Norton, Saoirse Ronan, Ralph Fiennes, Wes Anderson, Tony Revolory, Tilda Swinton, Jeff Goldblum, Willem Dafoe e o moderador.

Mesmo mal aparecendo no filme, o figurão Bill Murray, usando uma touca azul e branca, foi um dos que mais bateu papo no encontro. Um dos jornalistas perguntou por que o ator praticamente aparece em todos os filmes de Anderson e que tipo de relação eles têm. Após olharem-se por alguns instantes, Murray confessou: “O romance acabou.” E Anderson, meio decepcionado, meio constrangido respondeu: “Eu ia dizer que tínhamos uma relação de pai e filho!” Foi muito engraçado.

Bill Murray: sempre presente nas produções de Wes Anderson.
Bill Murray: sempre presente nas produções de Wes Anderson. Ao lado, Edward Norton, Saoirse Ronan e Ralph Fiennes.

E a Tilda, aiii, a Tilda é uma musa sublime, absoluta! Sua personagem, a velha viúva solitária Madame D , que deixa toda sua herança para Mr. Gustave, personagem de Fiennes, infelizmente possui menos tempo no longa do que ela merecia. Uma jornalista alemã perguntou-lhe se, após esse papel, ela está animada para envelhecer (WTF?). E a Tilda, musa, respondeu: “Eu sou assim sem toda essa maquiagem. Eu já sou velha”. Como não amar a Tilda? Ela ainda disse que a Berlinale é algo muito precioso e que ela já participou de tudo que é maneira no festival  – inclusive como diretora do júri em 2009. “Se for preciso, pergunto pro Dieter Kosslick se eu posso  limpar alguma coisa para poder participar.” <3

Tilda Swinton é uma musa. Sem mais - foto Julia Dócolas
Tilda Swinton é uma musa. Sem mais.

Bom, de volta ao filme. É difícil não gostar de Grand Budapest Hotel com um elenco desses. Mérito de Wes Anderson de conseguir juntar tanta gente boa. Claro que não há como não associar o filme com Moonrise Kingdom por causa disso, mas quem se importa?  Se repetir o elenco é uma estratégia do diretor, provavelmente vai dar certo.  De bônus, vem uma fotografia colorida, burlesca, um texto cheio de poesia e 100 minutos leves, com momentos engraçados – bem dentro do estilo dos trabalhos anteriores de Anderson.

Cartaz do filme.
Cartaz do filme.