Mariana Polke: Das Unkraut – a imigração em um herbário

A Mariana Polke, 29 anos, é de Berlim. Desde o dia 27 de janeiro, ela expõe suas fotos no projeto “Über Migration”, que tem como tema a sutil analogia entre ervas daninhas e  imigração. Plantas invasivas, indesejáveis, ou “ilegais” num primeiro momento podem ser dotadas de uma incrível beleza e de atributos benéficos para vários fins. Tudo é uma questão de perspectiva. Em um momento em que questões de imigração, asilo, aceitação e adaptação causam longas discussões na Europa, o trabalho de Mariana provoca uma bela reflexão.

Camomila -  Foto: Mariana Polke
Camomila –
Foto: Mariana Polke

 

A mineira de Belo Horizonte é berlinense desde 2006. Entre as idas e vindas, suas raízes começaram a se fortificar em solo alemão em 2011, ao iniciar seu mestrado em Europäische Medienwissenschaft (Teorias Midiáticas Europeias) na Fachhochschule Potsdam.

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“Unkräuter sind Pflanzen der spontanen Begleitvegetation in Kulturpflanzenbeständen, Grünland oder Gartenanlagen, die dort nicht gezielt angebaut werden und aus dem Samenpotenzial des Bodens oder über zuflog zur Entwicklung kommen. Im allgemeinen Sprachgebrauch ist das Hauptkriterium, um eine Pflanze als Unkraut zu bezeichnen, dass sie unerwünscht ist. Je nach Sicht des Betroffenen kann ein bereits eingetretener, zu befürchtender wirtschaftlicher Schaden oder ein ästhetischer Grund der Auslöser für das Störungsempfinden sein (…).

A erva daninha (tradução livre)

“Ervas daninhas são plantas que crescem inesperadamente em plantações e jardins. (…)Na linguagem comum, o principal critério para categorizar uma planta como uma erva daninha é o fato dela ser indesejável. Dependendo do ponto de vista, o incomodo dessas plantas ocorre em função dos prejuízos na plantação ou por prejudicar a estética do local.

A interpretação do termo ‘erva daninha’ depende muito da percepção. Por exemplo, ao mesmo tempo em que algumas espécies de plantas são consideradas invasoras, elas são possuem vários usos: na agricultura, para fins medicinais, ou como bioindicadoras. Elas são consideradas ‘ervas daninhas’ a partir do momento em que são percebidas como ‘perturbadoras’.”

Quelle:  www.hortipendium.de/Unkraut

Apesar da descendência alemã, que lhe garantiu os privilégios de ter um passaporte europeu, Mariana muitas vezes se viu no vácuo em que muitas pessoas “em mobilidade” se encontram. O que significa pertencer ou se sentir parte de algum lugar? O que torna alguém de fora, diferente,  bem-vindo num determinado ambiente? Até que ponto uma formalidade como um simples papel, ou um passaporte vermelho, é capaz de influenciar a aceitação de alguém perante a  sociedade em que se chega?

Com esses questionamentos em mente, surgiu a oportunidade de participar do projeto fotográfico “Migranten in Europa” como parte do currículo do mestrado. Mariana juntou sua própria história com seu interesse por fotografia. Mas a analogia entre os imigrantes e as ervas daninhas – plantas geralmente encaradas como invasivas, indesejadas, deu-se por meio de outra história.

Desde que se estabeleceu na Alemanha, Mariana começou a cultivar plantas em casa. Trouxe do Brasil sementes de pimenta biquinho – planta que dificilmente se adapta nessa região, pois necessita de muito sol e calor. Entre as várias informações descobertas sobre o tema, uma lhe chamou a atenção: camomila é uma erva daninha. “Fiquei surpresa porque sempre pensei que erva daninha era algo ruim, sem uso. Encontrei  uma definição de erva daninha e me dei conta de que, ao trocar o termo por ‘imigrante’ o texto ia continuar fazendo sentido. Além disso, umas das principais propriedades das ervas daninhas a sua resistência e fácil adaptação a novos ambientes”, conta.

Assim, ela saiu por Berlim atrás dessas plantas, indo nas praças, no caminho para o supermercado. E começou a perceber que elas estavam em todo o lugar. Ao mesmo tempo, ela foi em busca de pessoas que possuíam um status semelhante: aqueles que estivessem em situação ilegal no país. “Estar ilegal também é uma questão de perspectiva, pois possuir ou não um papel muda tudo. Conversei com as pessoas, fui a um dos workshops do coletivo Migrantas. Eu ouvi muitas histórias, mas não sabia como expor tudo aquilo, como dar a devida importância que elas tinham no meu trabalho. Aí cheguei à conclusão que eu não deveria tentar mostrar tudo, deixando o trabalho mais subjetivo. Caberia a quem o visse ir atrás dessas histórias”, explica.

Fincar raízes, se adaptar a um novo ambiente, ser resistente às dificuldades são desafios de quem opta por começar a vida em outro lugar.
Fincar raízes, se adaptar a um novo ambiente, ser resistente às dificuldades são desafios de quem opta por começar a vida em outro lugar.

O resultado foi fotografar esses homens e mulheres, de costas, e usá-los como o fundo de um herbário, onde as plantas estariam projetadas. 13 pessoas com “Migrationshintergrund” fazem parte do trabalho. Elas se deixaram fotografar por acharem a ideia muito bonita. “Num primeiro momento, elas não entendiam bem o que eu ia fazer, mas ao verem a beleza das plantas, logo se motivaram para posar”, conta Mariana.

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As fotos, ao lado do trabalho de outros 17 colegas, estão reunidas na exposição “Über Migration”, no campus da Fachhochschule de Potsdam. A exposição é gratuita e está aberta ao público até o dia 12 de fevereiro.

Cartaz da exposição fotográfica, aberta ao público até o dia 12 de outubro na Fachhochschule Potsdam
Cartaz da exposição fotográfica, aberta ao público até o dia 12 de outubro na Fachhochschule Potsdam

Acompanhe as ideias e referências da  Mari Polke aqui.

Você é deBerlim e tem um projeto incrível para compartilhar conosco? Entre em contato!

 

#favelasonline: Conexão Berlim – Rio de Janeiro via Twitter

Bem bacana o evento de ontem na Heinrich-Böll Stiftung sobre o poder da internet e os novos atores e cidadãos-repórteres das favelas. Intitulado de #favelasonline, o encontro apresentou o projeto Buzzingcities, das jornalistas alemãs Sonja Peteranderl e Julia Jaroschewski e proporcionou uma roda de perguntas e respostas com três jovens que usam a internet como instrumento de documentação mobilização social  dentro de suas comunidades no Rio de Janeiro: Michel Silva (@vivarocinha), Marina Moreira (@mmari92) e Tiago Bastos (@tigobastos).

Foto: Ines Thomssen
Foto: Ines Thomssen

vivarocinha ‏”Rolezinho de pobre é arrastão, rolezinho de rico é flashmob.”
Marina Moreira “As manifestações das comunidades foram fundamentais para dar visibilidade a questões mais profundas da cidade.”
Tiago Bastos “A comunidade ajuda dando opiniões,sugerindo novas ideias e se possível ajudando nos movimentos que elaboramos.”

Os três responderam via twitter as perguntas de um público diverso que encheu o salão de eventos da Böll, em Mitte – Berlim. Desde questões sobre hospitais, saneamento básico e até a polêmica dos rolezinhos – perecebe-se que, em tempo, a realidade das favelas desceu do morro e é de conhecimento até de quem mora longe, graças ao acesso à internet que “horizontaliza”  e simplifica a comunicação por meio de uma tecnologia simples e cada vez mais acessível a todos.

Ficamos na torcida e na espera por eventos como interativos como esse. No final, muitos dos participantes pediram para que a equipe transmitisse ao colegas “tuiteiros” do Brasil um caloroso muito obrigado.

Designer Outlet Berlin – Vale a pena?

Comparando com os Estados Unidos, a Europa não é um paraíso das compras. Berlim ainda se salva pois os custos de vida, como comida, transporte, cultura e moradia (até segunda ordem) são mais em conta do que outras capitais como Paris e Londres. Mas uma “shopping Erlebnis” às vezes pode deixar um pouco a desejar – claro que é mais em conta fazer comprar aqui do que no Brasil, mas não é nada absurdamente mais barato como nas terras ianques.

Fomos tirar a prova no Designer Outlet Berlin, que promete grande descontos e reúne marcas que geralmente atraem o público brazuca como Adidas, Nike, Desigual, Calvin Klein Jeans, Tommy Hilfiger, Esprit, Billabong, Guess, Levis, The Body Shop, entre outras. Abaixo um pequeno resumo das lojas visitadas (pois não deu para ver tudo) e as que pareceram valer a pena ou não.

Portão de entrada
Portão de entrada

Vale a visita:

The Body Shop: Pra quem ama os creminhos e sabonetes da Body Shop, todos os produtos são mais baratos do que os das lojas. Há boas promoções para os kits de presente, além das linhas clássicas e as de temporada. Bem bom.

Adidas: Uma boa pedida para quem quer comprar tênis. Há uma grande quantidade de tênis Adidas por preços bem mais em conta, entre 79 a 90 Euros.  O ponto alto das roupas são os abrigos com as três listras e algumas camisas de futebol. Há pouca coisa da coleção mais urbana Originals.

Guess: Boa variedade de jeans, promoções pontuais bem baratas (como um belíssimo cardigan de linho grosso com gola de pele ecológica por 39 Euros).

Esprit: Variedade IMENSA de calças, blusas e vestidos. Promoções a partir de 10 Euros. Ala masculina bem servida, com belos blusões também por preços mais baratos que nas lojas. Como a Esprit costuma ser caríssima para os produtos relativamente simples que oferece, quem é fã da marca não vai perder tempo passando lá.

Desigual: Quem gosta da mistura de cores, estampas e motivos – característica da Desigual -, vai ficar satisfeito com o outlet. Bem servido de modelos e tamanhos, parece uma loja normal. A maioria das peças tem 50% de desconto, mas como a marca é cara, isso não quer dizer que elas fiquem baratas. Um exemplo, um belo blusão de lãzinha com bordados de flores nas laterais sai por 59 Euros, apesar dos 50% de desconto.

Lindt: Toda a linha de chocolates é vendida com desconto na loja, além de caixas de chocolates incríveis mais difíceis de encontrar no varejo comum.

Noa Noa: Belas peças, boa variedade de cores e tamanhos, preço bom. Geralmente encontra-se peças da Noa Noa só em multimarcas ou em pequenas boutiques aqui na Alemanha, por isso a loja é um achado.

Deixou a desejar:

Nike: Pouquíssima variedade de artigos femininos. E o que tinha, era tão caro como nas lojas comuns.

Mango: Simplesmente não havia blusas ou camisas, só camisetes para usar por baixo. Loja bem servida de blazers e vestidos.

Bench: Também pecou na variedade. Algumas lojas parece que vendem aquilo que ninguém quis comprar.

Vero Moda: Mais uma loja que vende só o que sobrou, pouquíssima variedade e artigos muito básicos.

Não foi possível ver tudo pois o dia também não estava muito convidativo: muita neve e frio. Mas, pra quem não gosta de muvuca, visitar o outlet no inverno é ideal, pois as instalações estavam praticamente desertas. Só haviam alguns turistas e pouquíssimos clientes que pareciam ser das redondezas.

Grande variedade de lojas, mas frio e distância deve espantar clientes
Grande variedade de lojas, mas frio e distância deve espantar clientes

O acesso ao local pra quem depende do transporte público é bom. Basta pegar o RE4 (passa em Potsdamer Platz, Hauptbahnhof, Jungferheide, Spandau) e descer em Elstal. Na estação há uma placa indicando onde pegar o ônibus para outlet, que chega em menos de 10 minutos. Para voltar, a mesma coisa. O ônibus passa de hora em hora e é bem sincronizado com o trem. Um tíquete Berlim ABC (3,20 Euros) é suficiente por trecho. Para quem tem Monatskarte, basta comprar o Anschlussticket A ode C por 1,60 o trecho. Saíndo de Potsdamer Platz, a viagem durou cerca de 45 minutos. Dá pra dar uma olhada nas instruções da página do Outlet. ou no site da DB.

Vem pra Berlim e quer visitar o Outlet? Entre em contato com a equipe deBerlim. A gente te leva lá :)

 

 

Na companhia de Michel Gondry

Um dos destaques do júri da Berlinale 2014 deste ano é o diretor e roteirista francês Michel Gondry. Na bagagem, ele leva Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças (Eternal Sunshine of the Spotless Mind), de 2004. Um dos melhores filmes do muuuundo*, que aliás, completa 10 anos agora em 2014… Quantas lembranças…

Como não amar Joel e Clementine (Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças)
Como não amar Joel e Clementine (Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças)

Mas enfim, ano passado deu pra degustar um pouco da doçura de Gondry nos cinemas com  A Espuma do Dias, adaptação da obra literária de Boris Vian. Essa semana, a turma do kino teve uma boa surpresa ao ser informada da presença dele em Berlim. E, para preparar os ânimos, está rolando nas redes sociais um vídeo do The Creators Project, parceria da Vice com a Intel, em que ele comenta a criação de seu último projeto: “Is the Man Who Is Tall Happy?”.

Só esse making off já é um deleite pra quem gosta das pitadas de delicadeza e beleza de Gondry. Saca só:

Durante o festival, o júri assiste os filmes da competição principal nas sessões para a imprensa. Ou seja, vamos estar na mesma companhia, mesmo que a algumas fileiras de distância.

*na opinião de quem vos escreve, sem querer criar polêmica, por favor.

Praia do Futuro na Berlinale 2014

Foi na reta final, mas felizmente veio. Há poucos dias de começar o Festival de Cinema de Berlim, a lista final dos longas que concorrem ao Urso de Berlim apresentou um concorrente brazuca: Praia do Futuro, do diretor Karim Ainouz, com Wagner Moura – veterano da Berlinale  – como protagonista. Bacana. Vai atrair um bom destaque do festival para o Brasil e vice-versa.

Outrora como Capitão Nascimento, agora como o salva-vidas que resolve recomeçar a vida em Berlim, será interessante ouvir a perspectiva de Moura sobre estar participando da Berlinale 2014 não apenas com um filme vindo de fora, mas gravado na capital alemã.

Ano passado, o destaque brasileiro na Berlinale foi o longa Flores Raras, de Bruno Barreto, que participou da mostra Panorama. Flores Raras foi super bem aceito pelo público no festival, mas como não estava na competição principal, não teve todo o destaque que merecia. Uma pena também foi o fato da Glória Pires não ter vindo para divulgar o trabalho.

Outrora como Capitão Nascimento, agora como o salva-vidas que resolve recomeçar a vida em Berlim, será interessante ouvir a perspectiva de Moura sobre estar participando da Berlinale 2014 não apenas com um filme vindo de fora, mas gravado na capital alemã.  Se o filme repercutir bem no Brasil (as chances são boas, afinal, a popularidade do ator é inquestionável) será que vai ter gente que vai se inspirar e trocar a pátria amada por Berlim? Hummm, vai depender do desfecho do filme…

O ator na Berlinale 2011 divulgando Tropa de Elite 2
O ator na Berlinale 2011 divulgando Tropa de Elite 2 – Foto: Julia Dócolas

A data da estreia ainda não foi anunciada, mas deve sair nos próximos dias. Vamos ver quando Moura, Ainouz e a equipe teuto-brasileira vai passar pelo tapete vermelho do Berlinale Palast! Estamos na maior expectativa, e, é claro, na torcida.