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Exposição: As evidências de Ai Weiwei

Até o dia 7 de julho ocorre a exposição do artista plástico e designer chinês Ai Weiwei no Martin-Groupius-Bau, em Berlim. Ai Weiwei é conhecido e respeitado internacionalmente em função do seu ativismo político contra o regime autoritário e censor da China – seja por meio de suas obras como pelas sua presença na internet.

Reprodução da cela onde Ai Weiwei ficou preso por 81 dias em 2011.
Reprodução da cela onde Ai Weiwei ficou preso por 81 dias em 2011.

 

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Após ser preso em 2011, acusado de pornografia, sonegação fiscal e promoção da “desordem” no país, Ai Weiwei não recebeu seu passaporte de volta e, até hoje, não pode deixar o país. Apesar de ser constantemente boicotado na China pelo governo por meio de multas e novas acusações – as atividades de Ai no exterior são intensas. Na Alemanha, ele é uma sensação. Além da exposição no Martin-Gropius Bau, alguns cinemas alternativos exibem o documentário Ai Weiwei: The Fake Case, que mostra como o artista lida com a falta de coerência da justiça chinesa, com a sensação de ser vigiado o tempo todo e com seus traumas da prisão. Em paralelo, a vida de Ai Weiwei continua por meio dos seus novos projetos artísticos e das suas fortes relações com jornalistas e curadores do exterior – que o apoiam e o admiram de uma forma que chega a ser constrangedora. Recomendo o documentário para enriquecer a visita na exposição.

Lembrança de Shangai, o que sobrou do estúdio de Ai Weiwei demolido pelo governo pouco antes da inauguração, em 2011
Lembrança de Shangai, o que sobrou do estúdio de Ai Weiwei demolido pelo governo pouco antes da inauguração, em 2011

Ai Weiwei mistura fotografia, documentários, instalações e esculturas que possuem elementos da Dinastia Han, até as tintas metálicas  usadas hoje em dia por montadoras alemãs. Entre esses dois abismos há aço retorcido dos escombros do terremoto que devastou a região de Sichuan, mármore, pedra jade, bronze, madeira, computadores, câmeras… todas as evidências que o artista considera importante para chamar a atenção das pessoas e mostrar que a China não é apenas um dos motores da economia global, mas permanece um regime totalitário e atrasado, pois o respeito aos direitos humanos e à liberdade de expressão ainda não é prioridade do governo para com seus cidadãos. Assim, Ai Weiwei continua fazendo seu trabalho quase que remoto: preso no seu país, ele trabalha para o Exterior para que o resultado venha a dar efeito por lá.

Crítica e ironia. Não importa o lugar, "dane-se" o governo.
Crítica e ironia. Não importa o país ou o regime, “dane-se” o governo.

O quê: Exposição Ai Weiwei Evidence
Onde: Martin-Gropius Bau  Berlin Niederkirchnerstraße 7
10963 Berlin
Quando: Todos os dias, até o dia 7 de julho, 10h-20h
$: 11 Euros